O Forte de São João Baptista do Porto Moniz
A orografia da costa setentrional da Madeira, constituída por inexpugnáveis escarpas que se precipitam abruptamente sobre o mar, regra geral revoltoso, não permitia uma cómoda desembarcação nas perigosas praias de enormes calhaus rolados, oferecendo, portanto, uma efectiva defesa natural. Devido a essa circunstância não se considerou indispensável a construção de fortificações no litoral Norte até ao século XVIII. No início de Setecentos, em consequência do envolvimento de Portugal na Guerra de Sucessão de Espanha, levantaram-se novas fortificações em diversas localidades da costa Sul, nomeadamente em Machico, Santa Cruz e na Ribeira Brava, em detrimento da banda do Norte que continuou desprovida de quaisquer construções defensivas. No entanto, em 1730, o Porto Moniz - a mais importante enseada do Norte da ilha – foi alvo de uma tentativa de desembarque por parte de uma lancha de mouros, rechaçada oportunamente pela eficaz intervenção do capitão Francisco Ferreira Ferro que obstou, por certo, trágicas consequências. Para evitar outra semelhante situação, o capitão fez erigir o Forte de São João Baptista, com duas peças de artilharia, que seria dotado, mais tarde, com outras três peças de artilharia e respectivos apetrechos, para uma melhor defesa do local.

Em 1817, o Forte de São João Baptista encontrava-se bastante arruinado. Toda a artilharia estava inoperacional e a casa de armas havia sido destruída. Tendo em consideração que os habitantes mais ricos do Porto Moniz possuíam as suas propriedades, com os armazéns de vinho, no porto e que qualquer corsário podia lá chegar e saquear os mesmos, porque não eram defendidos, o engenheiro militar Paulo Dias de Almeida, reputava de prioritária a reconstrução do Forte. O Forte não seria, todavia, reconstruído. Arruinado pela contínua acção do mar e considerado obsoleto em função dos novos conceitos estratégicos da época, acabou por ser arrematado em hasta pública, tal como os outros dos seus congéneres pertencentes ao Ministério da Guerra, após a promulgação da Carta de Lei de 13 de Setembro de 1897, que permitiu ao Estado proceder à alienação das fortificações em interesse militar.

As ruínas do Forte de São João Baptista foram adquiridas pela Câmara Municipal do Porto Moniz em 1998. Dois anos depois, iniciaram-se as obras de recuperação, tendo a edilidade não só preservado o que restava das antigas muralhas exteriores, como também reutilizou a pedra lá existente para restituí-las, na medida do possível à sua forma original. A partir da iconografia disponível, reconstituiu-se, entre outros elementos, o torreão do Forte que há muito tinha desaparecido. O espaço interior do edifício sofreu a necessária adaptação para nele ser instalado o Aquário da Madeira.
 

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